segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Lembra da terça do amor e desamor?


“Aos poucos foram vestidas, entrando nas pernas cansadas e nos braços que relutavam as dores daqueles desprezíveis sentimentos tão queridos e cotados, que transitavam nas possibilidades desses extremos.
Arranquei com voracidade os longos fios para que a mudança fosse possível. Hoje, percebo que me satisfaço com o mesmo, com o óbvio e com o comum. Nada me encanta, pois o encantamento só é possível quando estamos dispostas. A indisposição consome e todas elas caem sobre mim com suas lembranças... Nem boas, nem ruins, apenas lembranças...”


“Os observei. Queria saber a ele também... Queria saber o que ele esperava, queria avistá-la, tanto quanto ele...
E de repente senti como se tudo estivesse parado e desaparecido, ficando escuro... Só restava os dois e eu... Que estava fora deles...
A energia escura que fluía dos dois me alcançava e me assustou... O escuro que vi neles se misturou com a cor da noite, a cor do asfalto, e com a cor de meu tênis da minha camiseta. Me tocava todo aquele preto.
E eu virei as costas, com a sensação daquilo (os dois) serem daquele jeito... Que não tinha jeito.
E conforme eu andava e olhava para trás, eles continuavam equilibrados num precipício...” –  Dani Righelti


“Nunca um fato me faz pensar em não te-lo executado ou colaborado para o mesmo.
Mas as pessoas sim, não me importo de fazer, mas me dilacera perceber que fiz com as pessoas erradas.
Um braço.
Um lábio.
Pernas.
Dedos e pescoço...
Delírios vazios de ciência, de consciência.
Um corpo, um amigo.
A dúvida entre ter o corpo ou o amigo.
A perda de mim para uma reflexão sobre o outro.
Caso eu fosse capaz voltaria o tempo.
Não possuiria teus olhos, boca e costas.
Cuidaria com cautela de tua alma, de teu sorriso.
Escolheria apenas o amigo”. – SiqueiraSilva


“Calo

Omito
Finjo
Vivo com calo a calar-me
Fico
Em calo vivo
Não digo
Não vivo
Só dor e calo
Calo que cala
Vivendo
Morrendo” - SiqueiraSilva


“Eu estava com a minha blusinha curta e decotada quando te vi pela primeira vez. Ao som de um bom samba você me tirou para dançar, cheirou o meu cangote e eu logo fiquei toda animadinha.
O tempo passava, o samba rolava e você só tinha olhos pra mim. Curioso! Com o passar do tempo, meu corpo que carregava essa blusa curta e decotada não mais mirava o seu corpo. Outro alguém, vestido de vermelho, me encantava! Sem hesitar, o chamei para dançar! Ele fitou meu decote ao mesmo tempo que eu fitei sua calça apertada. Nossos corpos, assim como as roupas que carregávamos neste, se encaixaram e combinara...” – Renata Silva


“Moleton. O mesmo material de anos passados, dos dias de hoje. Contextos diferentes, sentimentos opostos.
Quando pequena, roupas grandes e desajustadas faziam parte do sentimento interno, também descolamento, não pertencimento, distância.
Quando crescida, roupas curtas, do tamanho das certezas. Sem perceber essas mudanças aconteceram. Como aconteceu? Foi...
Hoje não há desconforto, há aceitação ao que reflete por fora o dentro. Porém ainda permanece o despertencimento. Com que peça irei superar?”




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