Inaugurando a exposição dos textos por aqui, comecemos com Carta a um semiconhecido de Laís Alpi.
Carta a um semiconhecido
Querido,
quantas oportunidades perdemos nessa vida... aquela noite nos conectamos em tal grau, de corpo e espírito, eu pude sentir, um horizonte se nos abria à frente, era só avançar e colher os frutos de toda uma vivência que seria maravilhosamente surpreendente e passional.
Mas eis que o acaso trabalha ferozmente contra nós, um diabinho cochicha à minha orelha esquerda quão regozijante seria uma, só mais uma, a última cerveja, saio a comprá-la e outro diabinho tomara a última, a última!
Só um cigarro me salvará nesse momento de abstinência por um psicoativo. Peço a um estranho, que resolve me conhecer melhor, como eu ignoraria? Um terceiro diabo faz sair de sua boca palavras interessantíssimas e aí... te vejo através da janela, mas não esperava que irias embora, ficara de me esperar, ali, na pista, lembra?
Dispensei o dito cujo e fui na direção da pista, onde impensadamente te deixei, mas eis que em meu caminho um quarto diabo me cochicha algo interessante no ouvido, um amigo, das antigas, papeamos como se não houvesse amanhã, até surge do meio do freezer uma última cerveja, que tomo enquanto termino com ele o assunto e quando finalmente chego ao lugar de onde nunca deveria ter saído, você não estava mais lá. Nem você nem mais ninguém, posto que amanhecia.
Toda uma história que poderia ter sido e não foi.
Laís Alpi
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