Mais palavras para degustar...
Essas vieram de Igor Gabriel.
Elisa
Capitulo 1 – Parabéns
Tudo escuro, apagado, eu não enxergava nada, parecia e pairava que todas as doenças de olhos do mundo todos tinham me tomado a visão naquele momento.
E eu cega!
Eu cega seguia aquelas vozes chamando por meu nome, cega e sem saber para onde eu ia. E fui...
Estava escuro e tão escuro que eu conseguia sentir meu coração batendo rápido demais, ofegante demais, eu sentia toda sua vibração em meu ouvido... Nua e descalça... Sempre nua e descalça.
Descia os degraus para aquele porão, eu não enxergava mais sabia que era aquele velho porão melhor eu sentia ele em mim, sentia e sabia que estava descendo cada vez mais fundo, sabia também que era aquele porão velho porque sentia aquele seu azulejo frio seu ar e atmosfera de esperança, que passa junto a corrente de ar dentro.
É como se ele fosse uma garganta profunda funda, grossa e fria.
E era para baixo que as vozes me chamavam... Para o interior da garganta fria (talvez eu fosse chegar no estomago...)
Acabaram se os degraus... Acabaram se as vozes... Meu nome foi tirado, e rapidamente sumiu no fundo da garganta.
Acabaram-se os batimentos ofegantes e cardíacos...
Tomou se então um silencio de morte e respeito de chegada. Eu também muda. Respirava pouco.
Foi quando então em sentir descer os degraus, e em um calor particularmente familiar...
Eu conhecia aquela respiração.
A boca com lábios diferentes de todos que eu já sentia, lábios diferentes... Diferentes e vermelhos (mesmo não os vendo... mais sentindo seu vermelho), aproximou-se do meu ouvido e em suspiro mais do que como palavras, mais sim como uma brisa de vento quando vêem do norte com cheiro de mato molhado da chuva fira e tão esperada de uma tarde quente. Passou esse vento no meu ouvido dizendo:
-Pode abrir olhos para o seu mundo agora...
Sentia a dona da voz de brisa indo embora, indo leve como veio ate mim também leve. Vermelha, lábios de mato com cheiro de chuva e vento como uma Deusa é... Como os livros descrevem Iansã...
Engoli o resto de saliva que ainda me restava da ansiedade e medo, e por fim e enfim abri meus olhos cansados de espera.
Ali em cima da mesa estava o bolo com muitas velas acessas. Tava tudo escuro só aquelas velas que iluminavam aquele lugar todo. Havia o bolo as velas e eu ali...
Não sei porque na não dei falta das vozes que levaram ate lá e nem estranhei a tal voz de brisa molhada. Sei La era tudo muito próximo talvez seja por isso o não estranhamento ta falta.
Tinha um bilhete ao lado do bolo, no bilhete além de meu nome havia também um pequeno texto.
Primeiro me parabenizando pelo aniversario de 80 anos, depois dizendo que La em cima no quarto estava meu presente de aniversario... Assinado vozes de Elisa...
Peguei uma das velas que me interessava para me iluminar, apaguei as outras e fui atrás do meu presente.
Igor Gabriel
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